DISTURBIOS DA COMUNICAÇÃO NA INFÂNCIA

 


Ocorrem devido à alterações ou atrasos na área da linguagem oral que afetam de alguma maneira a capacidade da criança se comunicar .Isto tanto pode ocorrer na emissão (fala) como na recepção dos sons (escutar) da língua.
Na maior parte dos casos, o diagnóstico feito o mais cedo possível favorece tratamentos menos demorados. Principalmente no caso de crianças, a solução de um problema o quanto antes, possibilita a prevenção de muitos outros. Um exemplo, é a freqüência com que as trocas de fala são transferidas para a escrita.
Não podemos nos esquecer também da parte emocional de nossas crianças, que se não auxiliadas em tempo, poderão desenvolver quadros como: rejeição à escola, timidez, agressividade (por não serem compreendidas), auto-estima rebaixada, hipersensibilidade emocional, etc.
O trabalho de Triagem Escolar na área de Fonoaudiologia compreende este caráter preventivo, bem como diagnosticar e encaminhar para o profissional competente, possíveis alterações de acordo com a faixa etária avaliada. Para que este tipo de trabalho obtenha resultados, se faz necessário a adequada orientação e conseqüente participação dos pais e/ou responsáveis pela criança.
Qualquer dúvida ou questionamento referente ao encaminhamento deve ser esclarecida com o profissional, para o bem da própria criança.
Para uma melhor compreensão dos Distúrbios da Comunicação que podemos encontrar nas crianças, a seguir enumeramos alguns patologias mais freqüentes.

1. Alterações do Sistema Sensório Motor Oral São alterações nos órgãos fonoarticulatórios ( lábios, língua, dentes, arcada dentária, musculatura da face, palato) quanto à tensão, movimentação e/ou postura dos músculos da face. A deglutição, sucção , mastigação e a articulação de alguns fonemas ( /t/ /d/ /l/ /n/ /s/ ) ficam comprometidas. Tais alterações podem ser provocadas por: respiração bucal (podendo ser devido à alergias respiratórias), por hábitos de sucção inadequados ( como uso prolongado de chupeta, mamadeiras com furos e/ou bicos inadequados, dedo) ,por alimentação facilitada por tempo prolongado (sopas batidas, danones, alimentos sem consistência para o treino da mastigação) ou por pressão da língua entre os dentes causando desiquilíbrio nas funções musculares.
LEMBRETE: Aos 7 meses aproximadamente, deve se oferecer à criança alimentos cozidos e amassados com garfo , e, a partir de 1 ano, a criança já é capaz de mastigar arroz, feijão, bolachas, frutas e carnes.
A amamentação no seio é , sem dúvida , a adequada para o desenvolvimento dos músculos da face , boca e da articulação. Quando isso não for possível é de extrema importância o uso de bicos e chupetas ortodônticas (devido a maior semelhança com o seio)
LEMBRETE: Chupar chupeta por tempo prolongado( após 3 anos) ou dedo podem ocasionar sérias deformações nos órgãos da face, arcada dentária e articulação. Porém, a retirada da chupeta e/ou dedo deve ser gradativa, sempre acompanhada de muita conversa, explicações e sem ameaças.( "Negociar" até que a criança deixe o hábito)

2. Distúrbios Articulatórios e Atrasos na fala A fala da criança se encontra com alterações como, omissão ( /pota / porta), troca ( /cato / gato), ou inversão de sons (/marracão/ macarrão).Pode haver distorções dos sons (criança que fala /s/ com a língua entre os dentes, o mais comum é o chamado ceceio.)

Os atraso no desenvolvimento ocorre quando a criança não desenvolve sua fala no ritmo das crianças próximas à sua idade.
Os fatores causais são variados, desde alterações neurológicas, auditivas, como emocionais e ambientais.
LEMBRETE: Os pais e professores são modelos de fala para a criança. A estimulação da fala deve começar desde bebê , de maneira clara , com articulação correta dos sons e em volume de voz adequado. Não deve se corrigir diretamente as crianças, mas sim, oferecer o modelo correto da palavra. (O que a criança diz deve ser sempre mais importante do que como ela diz !)

3. Gagueira É uma alteração do ritmo da fala com repetições e hesitações, com alteração da fluência e gerando tensão corporal.
Existe uma disfluência normal da fala que pode aparecer no início do desenvolvimento da fala, por volta dos 3, anos de idade.
LEMBRETE: Deve se dar maior importância ao que a criança está falando do que como isto ocorre. Não é aconselhável corrigí-la ou atentar que ela está gaguejando, para que isto não se torne um problema real. Tudo o que devemos fazer para ajudá-la é prestar atenção e esperar que ela fale com paciência, procurando entendê-la e aceitá-la afetivamente.

4. Problemas de Voz
Os problemas vocais em crianças , na maior parte das vezes, são resultado de um hábito falho no uso da voz, que pode ser desencadeado pelos seguintes fatores:
- A criança apresenta algum distúrbio emocional e manifesta seus conflitos internos através do abuso vocal.
- A criança utiliza a voz de modo abusivo por razões ambientais. (ambientes ruídosos, pais agitados e com voz intensa, competição para falar ,etc.)
- Uso inadequado da voz devido a doenças das vias respiratórias que acabam se tornando um hábito (respiração bucal, respirações superiores e curtas, etc.)
LEMBRETE: Crianças com timbre de voz inadequado, como, rouquidão, voz fraca, cansaço ao falar, por tempo prolongado, precisam ser melhor avaliadas por profissional competente (otorrinolaringologista, fonoaudiólogo).

CONCLUSÃO: São realizados encaminhamentos no intuíto de auxiliar o direcionamento das dificuldades encontradas nas crianças durante a triagem fonoaudiológica. As crianças que já estiverem em tratamento devem seguir com os profissionais responsáveis pelo caso.


ISABEL APARECIDA POCHINI ZECCHINI